A China está removendo nomes “estrangeiros”
Ministério dos Assuntos Civis reafirma plano de erradicar nomes que “violam os valores fundamentais do socialismo e prejudicam a confiança nacional”
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Pequim reiterou seu compromisso de eliminar das cidades chinesas nomes de propriedades e lugares “grandes, estrangeiros e estranhos”, provocando reação negativa do público.
A campanha começou no ano passado, quando seis departamentos governamentais introduziram uma política conjunta exigindo que autoridades provinciais e distritais identificassem todas essas propriedades em suas jurisdições e as renomeassem até o fim de março.
Na sexta-feira, o Ministério dos Assuntos Civis reafirmou seu apoio ao plano, mas lembrou os governos locais de implementá-lo “com prudência e de forma adequada”.
Muitos imóveis chineses, especialmente hotéis e prédios de apartamentos, incorporam lugares estrangeiros famosos como Manhattan, Califórnia ou Paris aos nomes, mas, segundo a nova regra, todos terão que mudar. De acordo com o jornal local Sanqin Metropolis Daily, em uma cidade de Xi’an, capital da província de Shaanxi, pelo menos 98 projetos de apartamentos, hotéis, municípios, comunidades e torres comerciais precisam ser renomeados.
Mas, para algumas pessoas, o programa não passa de perda de tempo e dinheiro.
“Se os projetos forem obrigados a mudar de nome, o que acontece com o nome no certificado de propriedade, na licença empresarial e no registro fiscal? Eles também precisam ser alterados?”, perguntou Zhu Yun, moradora de Guangzhou, capital da província de Guangdong, no sul da China.
“E qual é o padrão para os novos nomes, e quem vai fazer as mudanças? É apenas um desperdício da energia e do dinheiro das pessoas e não fará nada pela cultura ou pela confiança nacional.”
Zhu Min, octogenário que também vive em Guangdong, afirmou que o programa fazia lembrar uma época mais sombria da história da China.
“Isso me lembra os tempos ruins da Revolução Cultural”, disse ele. “Naquela época, muitas ruas, estradas e lojas foram obrigadas a mudar de nome porque continham elementos de antigos costumes e da velha cultura.”
O debate também se intensificou on-line, com dezenas de milhares de pessoas expressando suas opiniões nas redes sociais.
“A confiança cultural e nacional diz respeito ao respeito pelo multiculturalismo”, escreveu uma pessoa no Weibo, plataforma chinesa semelhante ao Twitter.
Apesar da indignação, o Ministério dos Assuntos Civis disse que implementar o plano era “medida importante... para promover a cultura nacional e local”, informou a Xinhua.
“As normas e diretrizes pertinentes da campanha devem ser rigorosamente observadas para impedir que ela seja ampliada de forma arbitrária”, dizia o texto.
O plano anunciado no ano passado afirmava que nomes de lugares “grandes, estrangeiros e estranhos” e os baseados em homónimos “violam os valores fundamentais do socialismo, prejudicam a confiança nacional e afetam a produção e a vida das pessoas, devendo ser retificados e eliminados”.
